Deus e a religião.

Livros, Textos

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“Durante anos demais, por incontáveis séculos e milênios, Deus e a religião têm sido mal compreendidos, distorcidos e manipulados  conscientemente pela  humanidade. O nome de Deus, talvez o símbolo definitivo da paz, do amor e da compaixão, foi usado para evocar inúmeras guerras, homicídios e genocídios. Mesmo hoje em dia, quando o século vinte e um começa a se revelar, guerras ‘santas’ infestam nosso planeta. Como uma guerra pode ser ‘santa’? Isto é uma contradição de termos um enorme pecado mal encoberto, superficialmente disfarçado por uma racionalização manipuladora. Como se Deus fosse tolerar a matança de pessoas inocentes.

Deus é paz, Deus é amor. Nós nos esquecemos de que, já que fomos criados à Sua divina imagem, Deus está dentro de nossos corações e nós também somos criaturas de paz, seres de amor e divindade. Só pode haver uma religião, pois existe apenas um Deus, o Deus de todos nós. Devemos amar uns aos outros, pois o amor é o caminho para casa. De outra maneira, como crianças teimosas, estaremos fadados a repetir de ano indefinidamente, até aprendermos a lição do amor.

Somente abrindo mão  de nossos medos, enxergando as pessoas de outras religiões como nossos iguais, como almas iguais na estrada para o Céu, podemos amar de verdade, num sentido incondicional. Somos todos iguais, estamos todos remando no mesmo barco. Em nossas muitas encarnações, nós mesmos já fomos de todas as religiões, de todas as raças.  A alma não tem raça nem religião. Conhece apenas o amor e a compaixão.

Quando soubermos que somos todos iguais, que existem apenas diferenças superficiais e sem importância entre nós, mas nenhuma diferença realmente fundamental, então poderemos nos unir e ajudar a todos que encontrarmos pelo caminho, sejam eles parecidos conosco ou não.

Quando você investiga além dos rituais e costumes aparentes das inúmeras religiões, encontra uma similaridade impressionante de ideias, conceitos e conselhos. Até mesmo as palavras são inacreditavelmente parecidas. Estivemos matando uns aos outros em nome da religião quando, nos níveis mais profundos, na verdade acreditamos na mesma coisa.

Os valores espirituais partilhados pelas grandes religiões do mundo têm em comum a crença da importância de se levar uma vida espiritual, de entender a presença divina dentro e além de todas as coisas e de todos os seres, de servir e praticar boas ações, do amor, da compaixão, caridade, esperança e fé. Todas descrevem uma vida após a morte e a imortalidade da alma. Todas enfatizam a bondade, o perdão e a paz.

Acho que esquecemos o que sabemos. Presos na rotina do dia a dia, ficamos tão consumidos pela preocupação e pela ansiedade, tão preocupados com nosso status, nossa aparência exterior, com o que os outros pensam de nós, que nos esquecemos de nossa  parte espiritual. Temos tanto medo da morte porque nos esquecemos de nossa verdadeira natureza. Estamos tão preocupados com nossas reputações e posições, em não sermos manipulados por outras pessoas para ‘vantagem’ delas e ‘prejuízo’ nosso, em não parecermos ignorantes, que perdemos a coragem para sermos espirituais.

A ciência e a espiritualidade estão se aproximando. Físicos e psiquiatras estão se tornando os místicos dos  tempos modernos.
Estamos confirmando o que os místicos anteriores sabiam intuitivamente. Somos todos seres divinos. Sabemos disso há milhares de anos, mas nos esquecemos. E para voltar para casa temos que nos lembrar do caminho.

Se existe apenas um Deus e uma religião, que é o amor, por que deveríamos manter nossas tradições religiosas?  Por que não mudar e experimentar as outras?

Existem muitos motivos para agir assim. Como os aros de uma roda de bicicleta, todos os caminhos ditados pelas grandes religiões levam ao mesmo centro, à piedade e à iluminação. Um caminho não é melhor nem pior do que o outro. Todos são iguais.

Não há dúvida de que é extremamente positivo ser impregnado desde a mais tenra infância pela sabedoria e os valores de uma determinada religião. Há uma sensação de paz que favorece o relaxamento da mente e permite que, quase sem esforço consciente, você entre em um estado mais profundo de meditação, oração e contemplação. Neste estado profundo, pode-se experimentar níveis transcendentais de consciência.

 

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Mas como existem grandes verdades, beleza e sabedoria nas tradições de todas as grandes religiões, você deve sentir-se livre para experimentar um pouco de cada uma, pois as várias percepções profundas conseguidas aqui e ali podem acelerar seu progresso espiritual. Mas não é necessário abandonar sua tradição. Algumas pessoas preferem rosas,  outras orquídeas,  lírios ou flores-do-campo. Mas todas as flores são igualmente bonitas e Deus faz com que o mesmo sol brilhe para todas elas, a mesma chuva as alimente. São diferentes umas das outras, mas todas são especiais.

Quando  falo sobre religiões, estou me referindo à maravilhosa sabedoria e tradição espiritual, não às regras e dogmas feitos pelo homem, ditados por razões políticas e que servem para separar as pessoas, ao invés de uni-las.

Temos que ser cuidadosos  para distinguir as verdades espirituais das regras criadas por interesses humanos. Estas regras são como cercas que nos  mantêm separados e com medo.

Parafraseando um ensinamento encontrado em todas as disciplinas espirituais: a chuva cai tanto nas ervas daninhas quanto nas flores, e o sol brilha tanto nas prisões quanto nas igrejas.
A luz  de Deus não discrimina e a nossa luz também não deveria discriminar.

Não existe um só caminho, uma única maneira, uma igreja ou ideologia.
Existe apenas uma luz.
Quando as cercas caírem, todas as flores poderão desabrochar juntas em um jardim de esplendor incomparável, um paraíso na Terra.”

Brian Weiss

Livro: A Divina Sabedoria dos Mestres
Editora Sextante

Mestre Aivanhov - A sabedoria.
Capa - Tudo pode ser diferente.
A redenção de servir de coração.
O destino do Mundo.
O merecimento para a cura.


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