O apego às necessidades do mundo físico.

Livros, Textos

 

Frederico, amigo de Patrícia¹, é psiquiatra em um hospital na Colônia onde ela vive, ao ajudá-lo nos atendimentos ela escreve alguns casos tratado por ele, o que transcrevi abaixo é bastante interessante:

“Um senhor, aparentando trinta e cinco anos, entrou na sala um tanto envergonhado:

– O doutor me ajudaria? Gosto daqui, quero ficar, mas sinto falta de sexo.

– Você gosta daqui porque solucionou um dos pesos que aflige o ser humano, que é a disputa da sobrevivência. Aqui recebe muito, até os reflexos de sua doença estão sendo superados. Está abrigado, alimenta-se, não sente frio nem calor, enfim, está acomodado. Mas, ao mesmo tempo, anseia pelas satisfações que o mundo físico lhe proporcionava. Sente falta somente do que julgava bom, dos prazeres. Vou ajudá-lo. Para não ser atingido por esses ecos de satisfações do mundo físico em qualquer hora, é necessário que eleja, com toda sua força e atenção, um objetivo aqui no mundo espiritual, onde agora vive, e que a ele se dedique com toda sua alma. Assim, as energias que hoje lhe trazem um eco do passado se dirigirão para esse novo objetivo. Aconselho-o a ser útil, trabalhar, a estudar, a interessar-se em fazer o Bem a tantos irmãos daqui mesmo, e aos alojados na outra parte do hospital, que sofrem. Assim estará liberto parcialmente dos ecos das satisfações do mundo físico. No seu caso, do desejo sexual.

Já havia escutado uma mulher queixar-se do mesmo assunto, e Frederico ter-lhe dito que se dedicasse com carinho a uma atividade, trabalho ou estudo, para ficar parcialmente liberta desses desejos.

Aquele senhor era o último atendimento do dia. Tendo ainda tempo, indaguei a Frederico, querendo aprender:

– Por que aquela senhora se libertaria parcialmente e não plenamente, se aqui realmente não se tem necessidade dessas funções?

– O apego ou a escravidão a qualquer uma das atividades que gere, por exemplo, o impulso da gula, do sexo, da mentira, do muito falar; os vícios, tanto aparentemente inofensivos quanto prejudiciais, na visão da sociedade, fazem parte da busca incessante do homem em preencher seu vazio físico.

O homem é a soma de todas as experiências pelas quais a humanidade vem crescendo, através dos incontáveis milênios de que temos notícias. O primeiro sentido a se manifestar nos seres foi o tato e, por meio dele, o homem teve seus primeiros prazeres. O segundo, o grande, foi o da sobrevivência, ou seja, alimentar-se e procriar-se.

Mas, falando especificamente da procriação, porque os outros sentidos estão no mesmo plano, ela é o maior dilema das pessoas, porque condenam o sexo promíscuo, mas não ensinam ou explicam por que todos o tem. Se ele é mau, por que o possuir? Se ele é bom, por que o reprimir? A chave da questão está na sua fonte.

Se, em um rio, no meio do curso, você erguer um dique para que as águas não corram mais naquele leito, terá trabalho constante ao reforçar o dique todos os dias. As águas ficarão represadas a cada dia com mais força e poder de pressão. Se houver descuido, o dique se romperá e sua ação devastadora será mil vezes maior do que quando as águas estavam no seu curso normal. Da mesma forma é essa fabulosa energia vital. No seu primeiro impulso ela seduz o homem com prazer, para garantir a perpetuação da espécie. O ser humano, então, se torna escravo dessa energia. Um mero reprodutor da espécie. Mas como a prole pesa nos ombros dos genitores, a sagacidade da inteligência, por não querer abster-se do prazer, arranjou meios para neutralizar a prole e ficar somente com o prazer. Outros homens, por devoção ou crença, abstêm-se do uso dessa energia. E isso pode, num futuro próximo, arrebentar e produzir mais estragos ou adormecer essa energia, secando seu leito com prejuízo dele mesmo.

Alguns poucos, em vez de fazer diques ou amortecer essa energia, remontam à fonte vital. Procuram saber de onde nasce essa energia que é capaz de fazer nascerem os seres. E por reconhecer que ela nasce do próprio Eterno, desviam-na do leito do prazer mundano, que proporciona a perpetuação da espécie, e dirigem-na para a espiritualização do indivíduo, proporcionando a perpetuação da alma.

A libertação não se faz pela repressão, mas sim pela compreensão do que o homem é. Baseados nisso, usam toda a energia que os sustenta no sentido de possibilitar que renasça o novo homem, como cidadão cósmico, não mais interessado nos prazeres egoístas, mas na glória da manifestação de Deus no homem e em todos seus filhos.

Não poderia, Patrícia, falar isso que lhe falo para aquele senhor, ele não entenderia. Está ainda escravo de vícios, e quando tiver um objetivo maior, ficará liberto parcialmente, porque só estão livres plenamente os que fizerem conforme o exemplo citado. Ele não entenderia, como assim poucos compreendem o que Paulo de Tarso disse: ‘A natureza sofre e geme dores de parto até que nasça o filho do homem.'”

Livro:
Violetas na Janela
de Vera Lúcia Marinzeck
ditado pelo Espírito Patrícia¹.
Petit Editora.

 

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