Todo sofrimento é quitação de débito do passado?

Livros, Textos

 

“Todo sofrimento é quitação de débito do passado ou sofremos também por outros motivos?

Sofremos pelo débito do passado, mas nem sempre. É incontestável que o hoje é consequência do ontem. Mas também o hoje é causa do amanhã. Se as circunstâncias são adversas, se estou consciente de que posso transformá-las, elas ficam mais suaves. Oposição sempre teremos.

Vamos lembrar de nosso gigante gênio espiritual, Jesus de Nazaré, que nos disse: “Vinde a mim, todos vós que andais sobrecarregados, e eu vos aliviarei.”¹ Para o homem insatisfeito com o que Deus lhe deu, toda dificuldade se torna castigo, martírio. Já para quem procura compreender Deus, servi-Lo, amá-Lo, as dificuldades são oportunidades para superar-se.

Vou dar um exemplo bem comum em nosso dia a dia. É natural que uma pessoa que está suja se lave, se purifique. Para muitos o banho é um sacrifício. Há os que gostam de estar limpos, outros gostam de estar sujos. Para o indivíduo que está acostumado com a limpeza, a sujeira é um castigo. Para outros, tanto faz, pois gostam da imundície. Os que não gostam e estão sujos, incomodam-se.

Nossos erros, vícios, são como a sujeira. Para estar limpo é necessário querer limpar-se. Mas, às vezes, queremos estar limpos, mas não queremos deixar as causas que nos sujam. Essa luta para nos limparmos muitas vezes nos traz sofrimentos. É como o alcoólatra, que gosta de beber, mas não gosta da ressaca: quer que lhe tirem o mal-estar, mas quer continuar bebendo.

Assim são muitos os que procuram a Casa Espírita e querem, pelo passe, eliminar o mal-estar da ressaca, dos seus erros, mas querem continuar no vício. Esse conflito é causa de muitos dos nossos sofrimentos.

Após, meu pai leu a Parábola dos Operários da Vinha.² E explicou:

– A maioria de nós, em diversas fases da vida, atende ao convite Divino para nosso aperfeiçoamento espiritual, em início tido como trabalho. Creem, procuram exercitar preceitos e leis divinas.

Essas leis aprimoram a convivência dos seres humanos no seu convívio no dia a dia. Aqueles que se voltam para esse aperfeiçoamento são, nos dizeres da parábola, os assalariados. Esses crentes da bondade, do amparo Divino, dedicam sua existência ao exercício da fraternidade, da solidariedade e do amor prescritos pela sua crença, como pontos fundamentais que propiciam a chegada de uma nova era, em que os homens deixarão de se matar, de se explorar, de serem egoístas. Trabalham intensamente esse modo de viver, inspirados na promessa de Jesus, de que haverá um novo Céu e uma nova Terra.

Jesus sempre usou símbolos materiais para inocular neles um grande significado espiritual. A vinha simboliza o cosmo. O cosmo é a casa de Deus. Todos somos chamados a participar espontaneamente dessa vida comunitária, não em termos estreitos e egoístas, mas em posição totalitária. O fato é que somos filhos desse cosmo e como tais devemos agir. Mas, enquanto a consciência dessa filiação não acontece no interior do indivíduo, nós adiamos por mais ou menos tempo a nossa participação consciente nessa sinfonia universal.

Aí, então, dividem-se, como na parábola, diversas épocas em que nos colocamos à disposição do Divino para viver e usufruir de Sua vinha.

Mas, nesse documento cósmico que é essa parábola, vemos ainda, entre aqueles que estão a serviço do Senhor, as diversidades de intenções. Todos os chamados, dentro do contexto da palavra, estão trabalhando, estão servindo ao Senhor. Mas a motivação difere entre uns e outros. Essa é a razão da queixa daquele que mais tempo esteve trabalhando. A personalidade egoísta que só trabalha esperando benefícios, pagamento ou uma posição de grandeza, mede o que tem a receber, seja em pagamentos seja em benefícios, pela extensão dos esforços que despendeu em proveito de seu Senhor. Pois esse homem virtuoso ainda não se concebe como herdeiro divino. Esse Senhor ainda lhe é algo separado. Ainda não faz parte do seu círculo íntimo. Portanto, o pagamento que espera é de acordo com as privações a que se submete, da ociosidade, sensações e prazeres.

A sua medida ainda está vinculada às comparações que faz com seus semelhantes. Esse homem ainda é escravo do tempo e do espaço, do muito e do pouco, do débito e do crédito. Mesmo exercitando a virtude, ainda não renasceu.

Outros, com maior capacidade de compreensão, já não trabalham comparando ou esperando pagamento, seja este em forma de posses, prazeres seja de prêmios. Nem mesmo em função de posições espirituais.

Sabem e sentem-se filhos do Senhor. Ora, se são filhos, tudo o que é do Pai lhes pertence. Também, tudo o que é deles sempre foi do Pai. Trabalham por prazer, pois para que haja garantia de perfeição numa ação é necessário que ela seja feita com satisfação.

Suas atitudes são perenes, pois cuidam daquilo que lhes pertence. São os escolhidos.

Vejam, na parábola, os que chegaram primeiro queriam receber mais do que os outros. Como já dissemos, estão ainda no campo da quantidade e da posição social. Os segundos não se importam com o pagamento, pois tudo o que fazem é por amor, porque têm prazer em trabalhar na vinha do Pai, que é também deles.

As duas classes de homens estão trabalhando na vinha, mas diferem bastante uma da outra. É com base nessa diferença que vem a recompensa do Senhor. Aos egoístas, Deus lhes concede como pagamento o sucesso no plano físico e mental, em forma de posses, posições, satisfações físicas e mentais.

Aos desprendidos, Deus lhes concede Paz, Amor, Alegria e Felicidade imperturbáveis, pois não estão eles ligados nem ao tempo, nem ao espaço, nem ao pouco ou ao muito, mas sim a um estado de ser. São os filhos queridos do Pai, dos quais Jesus tanto fala.

Os que estavam na praça esperavam ser chamados para trabalhar. Mas os ociosos não se apresentaram na praça, para a tarefa. Estes são aqueles que não se preocuparam, diante do ciclo evolutivo, em devolver o talento que possuíam em estado embrionário. Não foram mais admitidos, porque o ciclo estava no seu final. Terão que recomeçar em outro local ou mundo.

Vejam, o Nazareno, há dois mil anos, já nos fez o convite. Está em nossas mãos participar ou não dessa vinha. Em trabalhar esperando o pagamento ou construir aqui e agora um novo Céu e uma nova Terra. Basta que queiramos. Trabalhemos!”

¹. Mateus, 11:28-30
². Mateus, 20: 1-16

Livro:
Violetas na Janela
de Vera Lúcia Marinzeck
ditado pelo Espírito Patrícia.
Petit Editora.

O texto é uma fala do pai de Patrícia (que estava encarnado) ao responder perguntas num Centro Espírita.

 

 

O. M. Aïvanhov - O remorso.
Defumação.
As informações enviadas através dos Guardiões.
Não desistam, tenham fé.
Pedir é muito fácil, quero ver estar pronto.


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